Tratamento

Certamente, quando temos alguém querido, ou um ente de nossa família, que está tendo problemas com drogas, em muitos casos a reação é não saber ao certo o que fazer.
A primeira indicação, é buscar informações, e meios, para avaliar a situação e qual a necessidade, se internação, tratamento ambulatorial e em grupos, medicamentoso, etc.

Busque ajuda ! Na grande maioria das cidades do país, ou cidades vizinhas, existe algum grupo de apoio a familiares de dependentes químicos sendo os principais: Al-Anon (Familiares de Alcoolistas), Nar-Anon (Familiares de Narcóticos Anônimos), Grupo Amor Exigente (Grupo  de Ajuda aos Familiares de Dependentes Químicos)


Tratamento na Comunidade Terapêutica Provita


O período de tratamento em nossa instituição é de 9 (nove) meses. A Dependência Química é uma doença reconhecida pela OMS (CID's F-10 a F19), sendo multifacetada com características nestas áreas do ser humano: Bio-Psico-Social-Espiritual, portanto, o tratamento é voltado para abranger estas mesmas áreas, BIO = Recuperação Física aliada a Farmacoterapia para estabilização orgânica e psíquica, PSICO = Abordagem e Terapia Psicológica aliada a Farmacoterapia, SOCIAL - Comportamentos e reeducação pessoal, e ESPIRITUAL = Espiritualidade Ecumênica, ou seja, não há orientação para determinada religião, sendo respeitadas as crenças individuais de cada um.

As visitas dos familiares na Comunidade Terapêutica acontecem no segundo Domingo de cada mês. A partir do 1° dia do 3° mês, o residente poderá sair para sua visita de ressocialização social/familiar, que tem a duração de 5 (cinco) dias, sendo que após, esta se repetirá de mês em mês até o término do tratamento. A partir do 1° dia do 5° mês, o residente poderá sair para visita  semanal de ressocialização, além da prevista mensal, todos os fins de semanas das 17:00 hrs das sextas-feiras, até às 17:00 hrs dos domingos, como parte da dinâmica de recuperação através não só dos 12 Passos, Psicoterapias, Tarefas, Reeducação, etc, mas sim também da reintegração social, e familiar, importante e primordial.

São 3 (três), os tipos de Alta:

  • Alta Administrativa - Por não observância do Regimento Interno e Normas de Moradia de acordo com avaliação da Equipe Multidisciplinar, Pelo não retorno das visitas, Pela evasão da CT.
  • Alta Pedida - A pedido do próprio residente, é efetuado o desligamento do mesmo por termo próprio.
  • Alta Terapêutica - Após os nove meses, tendo então concluído o tratamento.


METODOLOGIA


A metodologia utilizada está fundamentada no modelo de tratamento americano Minnesota - Modelo Minnesota “Uma abordagem evolucionária e multidisciplinar na Recuperação da Adicção.”  Jerry Spicer, Presidente Hazelden Foundation, Minnesota, EUA (1949 a 2011), adaptado ao contexto brasileiro. O referido modelo é aplicado através de grupos operativos, tarefas escritas relacionadas aos doze passos de A.A. (Alcoólicos Anônimos) e N.A. (Narcóticos Anônimos), reuniões sobre os passos, psicoterapias individuais e em grupo, palestras e assistência às famílias envolvidas, conscientização do processo de reinserção social, prevenção a recaída, e encaminhamentos sociais e profissionais.
A Equipe Técnica
Multidisciplinar encarregada do plano individual de tratamento é responsável por determinar a melhor abordagem a ser utilizada.
O período de internação, ou tratamento, tem duração de 6 (seis) meses, sendo que, de acordo com avaliação da Equipe Multidisciplinar, poderá ser acrescido de até 30 (trinta) dias no máximo, salvo em casos onde houve retorno ao uso de substâncias por parte do residente, quando em seu período de visita familiar.

1ª Fase: Desintoxicação e Conscientização – A partir do 1° dia de internação
O dependente químico ficará em regime de internação na Comunidade Terapêutica PROVITA, onde ocorrerá a observação diuturna direta de uma equipe durante o período de tempo necessário para:

1.      Assegurar afastamento do uso do álcool ou outras substâncias químicas;
2.      Examinar as suas condições gerais de saúde;
3.      Determinar serviços hospitalares considerados necessários;
4.      Se necessário proporcionar internação hospitalar.
5.      Formular um programa para sua reabilitação pessoal;
6.      Familiarizar-se com o programa dos Doze Passos;

7.      Participar das reuniões semanais de mutua ajuda;
8.      Participar de palestras sobre dependência química;
9.      Participar de psicoterapia individual e de grupo.

2ª Fase: Conscientização e Prevenção à Recaída – A partir do 1°  dia do 3° mês
Após a fase de desintoxicação, somados aos itens anteriores da 1ª Fase, o Dependente Químico, espera-se, entrará numa fase mais específica destinada a ajudá-lo a iniciar:

1.      Um programa para sua reabilitação pessoal;
2.      Aprofundamento tanto quanto possível no Programa dos Doze Passos (verificando-se aí maior interiorização e compreensão do mesmo);
3.      Uma participação mais efetiva nas palestras e temáticas sobre dependência química;
4.      Continuidade plena na psicoterapia individual e de grupo.
5.      Início das visitas aos seus familiares por um período de 5 dias, e após, a cada mês subsequente até o término do período de internação;
6.      Frequência a grupos de autoajuda durante o período de visita familiar, em sua localidade.

3° Fase: Prevenção à Recaída  e Integração/Ressocialização Social e Familiar – A partir do 1° dia do 5° mês.
Como continuidade do programa de recuperação individual iniciado na 2ª Fase, inicia-se o processo de prevenção a recaída, com ênfase na ressocialização, onde a crescente aproximação do dependente e o seu meio familiar/social, proporcionará maior segurança e fortalecimento visando já, o processo de Alta Terapêutica. 

1.      Visitas aos familiares todos os fins de semana, das 17:00 Hrs das Sextas-Feiras até 17:00 Hrs dos Domingos, até a conclusão do período de tratamento (1ª Semana do 5° mês).
2.      Continuidade com a frequência aos grupos de autoajuda de sua localidade;
3.      Continuidade ao programa dos Doze Passos e do plano terapêutico de uma forma mais autônoma, porém, com suporte profissional;
4.      Receber informações atualizadas e precisas a respeito da Dependência Química, bem como do processo de recaída, através de palestras, filmes selecionados, leituras recomendadas e dinâmicas de grupo;
5.      Maior integração Social e Familiar resultante do processo;
6.      Última visita de 5 dias, iniciada na 2ª Fase (visita do 5° mês).

Após a 3ª Fase, ao término dos 9 (nove) meses, com o processo de Alta Terapêutica do Residente, a Comunidade Terapêutica estará mobilizando as Redes de Saúde e Sócio Assistencial para a garantia na continuidade dos atendimentos necessários ao Egresso. Nesse momento, através de intermediações junto aos demais serviços públicos e privados existentes na comunidade do Residente, a Equipe Técnica Multidisciplinar realizará o acompanhamento ao egresso, podendo contribuir com a Rede sempre que surgirem as necessidades uma vez estar qualificada de informações dos casos abordados junto à CT durante o período de duração do tratamento do dependente.

4ª Fase – Reinserção Social – Acompanhamento – Graduação

Após a Alta Terapêutica, findos os 9 (nove) meses previstos do período de internação, o residente recebe uma Caderneta Própria, a qual receberá vistos confirmativos da frequência do(s) grupo(os) de apoio que frequentar, sendo necessárias e obrigatórias 4 anotações mínimas mensais, pelo prazo de 3 (três) meses, para que o residente possa graduar, receber o Certificado de Conclusão de Tratamento.


Lembre-se !


A ajuda para um portador de dependência química, que está com sua vida sem controle (ações, reações, etc), com sua doença ativa (no uso), muitas das vezes não é da maneira como o próprio dependente químico quer, mas sim, da maneira como ele necessita. Ajudar, é amar, e amar, não é concordar com as ações praticadas pelo usuário em sua ativa, ou seja, aceitar o uso e abuso de drogas. Se não houve sucesso em abordagens primarias, como conversas francas e abertas, aliadas ao oferecimento de apoio e ajuda, quanto mais cedo, o usuário perceber que suas ações são de sua inteira responsabilidade, ainda que causem dor para si mesmo, é provável que mais cedo, em contrapartida, aceitará ajuda, da maneira como é oferecida, sem imposições, condições, ou exigências, onde estes subterfúgios nada mais são que maneiras de "bular" ou "sabotar" as ações de ajuda, conseguindo tempo para "camuflar" e/ou amenizar toda a sua própria situação. Ao dependente químico na ativa do uso de drogas, a idéia totalmente errada do "uso controlado", é extremamente presente, e é tentada por 99% destes.